Antonio de Almeida esperava em ancias a apparição de D. Angelica. Não lhe pedira, como vimos, essa derradeira e afflictissima prova de um amor de vinte e dois annos; mas ve'-la, apertar-lhe a mão, expirar nos braços d'ella, egualar o escandalo ao flagello de lance tal, isso alvoroçava-lhe o espirito, attrahindo-lh'o para a unica visão aprazivel e ao mesmo tempo angustiada que o detinha entre a vida e a morte.
As irmãs de Almeida ignoravam tudo o que se passára, excepto o ferimento mortal de seu irmão. A denuncia do barão de Celorico fôra segredada ao enfermo pelo proprietario da casa, seu antigo creado. A policia devassára do crime, e nada averiguára das respostas concisas e obscuras de Almeida. Suspeitavam as attribuladas irmãs que seu irmão tivesse tentado um suicidio, por desgostos desconhecidos, e calasse o desastre para occultar a fraqueza, e obviar a presumpções nocivas á honra de alguem, e á propria memoria.
N'estas conjecturas, annunciou-se o barão de Celorico de Basto. Almeida recebeu a parte d'esta visita com excitamento prejudicial ao seu estado. Os facultativos conheceram a exaltação inconveniente, e perguntaram-lhe se a presença do barão lhe era penosa.
--Não é--disse elle—que entre, e venha só, porque é necessario assim.
Entrou o livido barão, fechando a porta. Chegou-se ao leito do enfermo, e estacou silencioso, com os olhos rasos de lagrimas. Esteve assim instantes, ergueu as mãos, e ajoelhou sem proferir palavra.
--Que é isso, senhor?--disse Almeida.
«É um desgraçado que vem pedir perdão, snr. Almeida. Quem lhe deu o tiro foi este malvado infeliz que aqui está diante da sua vista. Eu cuidava que minha mulher me era infiel, e me deshonrava. Tive uma carta em que me avisavam d'isso. Encontrei um charuto no meu jardim. Disse-me a patrulha que do meu quintal saíra um homem fóra de horas. Tentou-me o demonio a tirar vingança de quem me deshonrava. Vi-o a v. sr.ª, e, sem pensar no que fazia, dei-lhe dois tiros. Depois soube tudo o que havia; minha mulher está innocente, e o senhor nunca me fez mal nenhum, e está ferido por mim. Se me quer entregar á justiça, aqui estou, snr. Almeida; chame toda essa gente que está em sua casa para ouvir a confissão.
--Levante-se, snr. barão—atalhou Almeida—Não diga a ninguem que me feriu; fique entre nós esse segredo para sempre. Eu depressa morrerei com elle, e o senhor viva sem se denunciar a pessoa alguma. Eu sabia que o meu assassino fôra o senhor. Se quer mitigar o seu remorso, respeite... a mãe de sua mulher. Se ella um dia precisar dos seus favores, faça-lh'os como os faria á viuva do homem que matou. Agora, vá em paz.
O barão retirou, enxugando as lagrimas. Entrou furtivamente em casa, e escreveu uma carta. Sahiu com o preto, e montou a cavallo á porta de um alquilador.
A carta, que escrevera, era sobrescriptada á baroneza; da qual carta se dá o texto viciado com as perdoaveis infidelidades da correcção ortographica:
«Ludovina, quando receberes esta, teu infeliz esposo já não está no Porto!!!! Vou por esses mundos de Christo penar o meu crime, até que o remorso dê cabo de mim!!!! que não tardará!! Fica n'esta casa, que é tua, minha amada Ludovina; para mim me basta um bocado de terra onde enterrar os meus ossos!!! Quando souberes o meu triste fim então perdoarás a teu infeliz e desgraçado marido!! Fui já pedir perdão ao Antonio de Almeida, e oxalá que eu morresse ao pé d'elle. Pela tua honra e vida te peço que trates tua mãe com todo o amor e carinho. Faz com que ella me perdôe o mal que lhe fiz. Não tive animo de ir onde a ella, pedir-lhe que fosse tão boa como foi para mim aquelle honrado homem, que Deus permitta não morra. Adeus Ludovina, desgraçada Ludovina!!! para sempre, adeus! Não me tenhas odio; tem antes compaixão de teu marido, que te escreveu esta com a cara coberta de lagrimas e o coração acabrunhado de remorsos. Adeus para nunca mais!!!!!»
Afóra a sobejidão de pontos admirativos, que são talvez signaes symbolicos da dôr indizivel do barão de Celorico de Basto, o que se nos depara n'essa carta é a simplicidade, a mudez, a phrase chan de uma verdadeira angustia. Em lance identico um marido letrado, e concedo até que romancista, não escreveria cousa mais pathetica e pungitiva.
Ludovina leu esta carta ao pé de sua mãe, que authomaticamente se deixava vestir para ser transportada n'uma cadeirinha, nem ella sabia para onde.
Melchior Pimenta trouxera de fóra a noticia do perigoso ferimento de Antonio de Almeida, e vendo que sua filha não se espantava da nova, porque não era então maré de fingimentos, ficou perplexo, e scismou no caso alguns minutos.
Uma idéa, entre muitas idéas (se o leitor concede que Melchior tivesse muitas idéas) o incommodava. Seria Antonio de Almeida amante de sua filha, e o barão, por consequencia, quem lhe dera o tiro? Era esta a conjectura que o preoccupava, quando Ludovina lhe disse que não podia fazer-se a mudança n'aquelle dia porque a receava perigosa para sua mãe.
«Vem cá, Ludovina—disse o sr. Pimenta, franzindo a testa sobrecarregada de cuidados—fallemos de espaço, e desembrulha-me este novello. O barão disse-me, ha pouco, que dera esta noite um tiro n'um homem que era o amante de tua mãe. Acabo de saber que Antonio de Almeida está ferido. Contei-te este acontecimento, que te não espantou. Vejo tua mãe doente. Lembra-me o que teu marido me disse... Quero explicações d'este mysterio.
--São muito dolorosas para mim as explicações, meu pae.
«Como dolorosas?!
--E muito, meu pae; vergonhosas até para que uma filha se atreva a dize'-las. Queira ignorar tudo, meu pae, ou tudo saber de outra pessoa que não seja eu...
«Porque não has de ser tu?
--Porque sou criminosa.
«Criminosa! mas o barão disse que estavas innocente.
--Foi a minha querida mãe que me salvou á custa da sua dignidade.
«Não entendo...
--Entende, meu pae. A amante de Antonio de Almeida era eu.
«Tu! pois tu!...
--Não me culpe, ou culpe-me, mas perdoe-me. Obedeci, quando me casaram com este homem, obedeci cegamente; mas o coração negou-se ao sacrificio.
«E Antonio de Almeida, meu amigo de vinte annos, que te viu nascer, teve a ingratidão e a infamia de te fazer a côrte, sendo tu casada?! Foi bem dado o tiro! Bem hajas tu, barão, que me desaffrontaste, e procedeste como homem de bem!
--Isso é improprio da sua nobre alma, meu pae. A culpa é minha só. Amei desde creança Antonio de Almeida, era amiga d'elle até o julgar superior a todos os homens. Pedi-lhe a felicidade do coração, que só elle podia dar-me. Amava-me por piedade; fazia-me esmola do seu amor. Fui eu que o matei. Já que me forçou a esta confissão, dir-lhe-hei mais que, na posição em que estou, considero-me responsavel das minhas acções más perante Deus e meu marido. O pae perdeu o direito de me injuriar na desgraça que lhe devo. Minha mãe foi mais generosa comigo. Fez, não sei de que modo, convencer-se o barão de que a amante de Antonio de Almeida era ella. Aqui tem a explicação das palavras que meu marido lhe disse, e não poude sustentar na minha presença. Minha pobre mãe, depois de victimar a sua honra á minha salvação, succumbiu á vergonha de si, e á dôr, talvez, de me ver indigna d'ella. Basta de explicações, meu pae. Estas palavras tem-me custado annos de vida. Se a minha deshonra reflecte no seu pundonor, perdoe-me; se me não quer perdoar, amaldiçoe-me, mas não profira na presença de minha mãe o nome de Antonio de Almeida. Mereço isto á sua compaixão?
«Não falarei mais n'esse homem por minha honra propria.
--Assim o deve á sua dignidade.
Ludovina foi chamada com urgencia ao quarto de D. Angelica. Encontrou-a vestida, disposta a sair, com o rosto escarlate do crescimento febril, e gestos de quem delira.
«Onde quer ir, minha mãe?
--Morrer em qualquer parte, Ludovina... Quero ar...
«Não ha de sair d'aqui; supplico-lhe que não saia, minha mãe.
--Não me dês esse nome... Eu não quero já ser mãe nem esposa...
Ludovina fez sair a creada, que testemunhava este dialogo.
«Não quer ser mãe nem esposa?
--Não. Sou amante de um homem que está moribundo ou morto. Quero que todo o mundo saiba, que o fui e que o sou. Desprezo tudo, não ha para mim deveres nem respeitos agora. Se elle está vivo, quero dar-lhe os meus ultimos instantes. Se morreu, quero chorar e morrer ao pé do seu cadaver.
«Fale baixo, por misericordia, minha mãe!
--Podem todos ouvir-me, não me escondo d'alguem, agradeço as affrontas, os desprezos, as injurias, agradeço tudo que fôr martyrisarem-me, com tanto que me matem depressa.
«Mas, minha mãe, attenda-me por piedade. Vou-lhe contar tudo, se me escuta... Sente-se, e ouça-me...
--Diz, anjo, diz...
«Antonio de Almeida não morreu, e talvez não morra. O barão escreveu-me uma carta em que se despede de mim, e me recommenda que lhe peça o perdão para elle. N'esta casa ignora-se tudo. Meu pae está convencido que sou eu a amante de Antonio de Almeida...
--Jesus! exclamou D. Angelica.--Como tu me castigas, Ludovina!
«Como eu a castigo, mãe?! por quem é, deixe-me ser boa para o meu coração, e indigna para todo o mundo. Sinto na alma alegrias tamanhas d'este meu procedimento!... isto é Deus que me premeia, minha mãe, é Deus que me dá em consolações do céo as amarguras, que o mundo me possa dar. Ora, se a mãe me envenena este prazer, mata-me... Deixe-me ser senhora de uma parte do seu coração e da sua vida. Obedeça-me, sim? não saia de casa; não saia, que talvez me não encontre viva quando voltar.
Ludovina abraçou-se, a chorar, em D. Angelica. Choravam ambas, com os rostos unidos, apertando-se cada vez mais. O seio da mãe desafogava de angustias soffocantes n'aquelle pranto. O da filha fortalecia-se de animo para arcar com a ignominia do seu descredito.
D. Angelica recaíu no entorpecimento. Ludovina chamou creadas para lhe assistirem, e executarem as prescripções dos medicos. Melchior Pimenta esperou que a filha saísse do quarto, e foi sentar-se, meditabundo e sombrio, ao pé do leito da enferma, tateando-lhe o pulso, e chamando-a com os maviosos epithetos do carinho. Angelica abria os olhos pávidos, encarava-o por momentos, e recaía na somnolencia.
Ludovina entrou na carruagem, deu ordem ao boleeiro, e apeou na Lapa. A trezentos passos d'ahi, morava Antonio de Almeida. Velando o rosto com um véo negro impenetravel á vista, a baroneza de Celorico, sósinha, subiu as escadas do amante de sua mãe.
Descia um medico ao qual ella perguntou o estado do enfermo. Respondeu-lhe que havia esperanças de salva'-lo. A noticia feliz alvoroçou-a. Receberam-n'a as irmãs de Almeida, maravilhadas de tamanha prova de estima. O doente conheceu-lhe a voz, agitou-se, quasi desfez o apparelho do curativo, e chamou-a com ancia.
Ludovina entrou no quarto, só, que assim o pedira ás amigas. Almeida apertou-lhe a mão, orvalhou-a de lagrimas, e murmurou balbuciante:
«É a boa nova... agora creio que vencerei a morte, minha amiga, filha do meu coração.
A baroneza ficou muda e convulsa. Filha do meu coração foram palavras que lhe entraram como fogo no recesso da alma, fogo, porém, que, de repente, se mudára em sensação de intima doçura. Passados minutos de mudo anceio, Ludovina curvou-se para o seio de Almeida, e disse:
--A mãe está muito doente; mas sem perigo. A sua carta não lh'a entreguei, lia-a eu, e occultei-lh'a para a não matar.
--O barão denunciou tudo?
--Nada: tudo se ignora, e toda a gente ignora, só eu sei que ella o estima tanto como eu. É necessario que o nosso amigo concorra quanto puder para lhe dar allivio. Tem esperanças, não tem?
--Tenho. Os facultativos disseram agora que o ferimento não é mortal. Já não morro, minha... minha querida amiga, não quero morrer...
--Escreva a minha mãe, se pode. Diga-lhe isso, que eu levo a carta. Não fale em mim, não diga que eu vim cá.
Antonio de Almeida escreveu. Ao despedir-se beijou Ludovina na face, e disse soluçando:
«Será o beijo de um moribundo?
«Não diga tal, sr. Almeida.
«Se fôr...» e desentalando a voz dos gemidos que lh'a embargavam, proseguiu «se fôr... Ludovina... lembra-te sempre da situação em que te deu o seu ultimo beijo... teu pae.
A baroneza tremeu uma sezão de instantes. Quiz saír, mas o abalo quebrantou-lhe as forças, coando-lhe nos nervos o desfallecimento, e a perda quasi dos sentidos.
Almeida tocou a campainha, e disse á irmã que primeiro chegou:
--O ar d'este quarto fez mal a esta senhora: levem-n'a para a sala, e vá uma das manas acompanha'la.
Ludovina pediu que lhe mandassem buscar a sua sege, que a esperava na Lapa.
Cinco paginas que é melhor não se lerem
Este capitulo mira a alvo transcendental.
Nem mais nem menos, quer provar que o Codigo do Imperador Justiniano—corpo de leis que uma falsa piedade chama «Digesto», sendo elle a causa indigesta de muitas gastralgias intellectuaes—quer provar, digo, que o Digesto, entre muitas que não conheço, traz, uma lei de tamanho absurdo e insensatez, quanta é a indignação com que para aqui a traslado:
Pater is est quem nuptiæ demonstrant.
Em portuguez comezinho:
O pai é aquelle que se diz pae no assento do baptismo.
A versão é de christão catholico, entenda-se.
Aquella regra de jurisprudencia pagã não fala em assento baptismal. Se o legislador fosse baptisado, como estes de agora, a lei não saía assim.
Contra a qual lei temos a articular:
1.º Que o pae é uma entidade muito mais nobre, efficiente, cathegorica, e circumspecta. E demonstra-se:
Quem leu a physiologia da geração sabe que ha cinco phenomenos caracteristicos d'essa funcção de mysteriosa origem. O primeiro d'esses phenomenos, cuja confusa theoria os imperitos podem lêr nas fontes respectivas, é influido pela acção de um ser directo e immediato, que os latinos denominam pater, os inglezes father, os allemães watter, os francezes père, os hespanhoes padre, e nós, com mais suavidade que todos os outros idiomas, pae.
Pae quer dizer «productor, gerador» Parens qui aliquem genuit—isto a meu vêr, é claro como tudo o que se diz em latim.
Conclusão: Pae é aquelle que é pae.
2.º Ha paes postiços, paes contra-natura, paes testas de... ferro, paes in mente legis, na presumpção da lei, e na fé dos padrinhos de quem são compadres, por obra e graça de um sacramento.
Os homens, reconhecendo a inconveniencia de acceitar a natureza feia como ella ás vezes se apresenta deliberaram, de commum concerto, pôr-lhe mascara.
E como a natureza paterna era uma das que mais a miudo saía á gente com as suas deformidades medonhas, resolveram os desvelados reformadores corrigir os aleijões d'essa natureza, inventando o pae civil, o pae do assento baptismal, o pae da arvore de geração escripta em pergaminho, o pae que transmitte os bens e os appellidos, o pae, finalmente, que tem tudo que é paternal, mas não é pae.
Este invento honra a sagacidade humana; mas a causa que o incitou deturpa a humanidade, e opprime agramente os corações dos individuos virtuosos. Todavia, a mascara foi necessaria, logo que as fealdades deram nos olhos. Hoje acceita-se o remedio do mesmo modo que o travor da quina se tolera para combater a sezão. Os paladares mais melindrosos affazem-se á peçonha, e estomago ha ahi de pae postiço, que disputa a Mithridates a invulnerabilidade.
Eu não applaudo a Sandice como Desiderius Erasmus; mas observo que o famoso theologo chamava «sandice» o que nós cá, gente bemaventurada da civilisação, denominamos «Cultura.»
Erasmus não deu pela theoria das mascaras. Pasmado da bonacheirona paz d'alguns paes impossiveis, exclama o mestre de Bolonha:
«Grande Jupiter! O que ahi não iria de divorcios, e peor do que divorcios, se a união do homem e mulher não fosse corroborada pela lisonja, pela complacencia, pelo esquecimento, e pela dissimulação, que formam o meu cortejo! Que raros não seriam os matrimoniamentos, se o homem de ante-mão esquadrinhasse os brinquedos da innocentinha noiva! Que rompimentos conjugaes, se o descuido ou a inepcia, não cegassem o bom do marido, para não enxergar os tregeitos e os feitios da companheira querida! Dizem que é toleima isto; deixa'-la ser; mas o grande caso é que marido e mulher vivem ás mil maravilhas, que reina a santa paz em casa, e os vinculos da alliança estão rijos. Isto é que é o essencial. Se ao pascacio dão nomes feios, que se lhe dá elle d'isso? Ve'-la a infiel a choramingar; para logo o pobre marido lhe sorve as lagrimas enternecidamente. Qual é melhor, ser assim bom, ou andar atormentado pelas furias do ciume?»
É boa a pergunta do theologo! O melhor é ser assim bom, ser assim illustrado, ser assim desbravado das velharias pundonorosas que obrigaram Cicero e Sulpicio Gallo a divorciarem-se das mulheres, um porque a sua lhe não respondeu a todas as cartas enviadas do exilio, outro porque a d'elle teve a impudicicia de saír um dia, sem coifa, á rua.
Aconteceu isto muito depois do reinado de Saturno, quando o pudor, como pondera Juvenal, já não morava nas primitivas cavernas onde os dois sexos se luravam sobre colchões de folhagem.
Credo Pudicitiam, Saturno rege, moratam
In terris...
já quando o genio tutelar do hymeneu andava corrido das pseudo-paternidades que se enxertavam, á sombra d'elle, nos illustres troncos de Roma:
Antiquum et vetus est alienum, Postume, lectum.
Concutere, atque sacri genium contemnere fuclri.
«Ó Postumo!--exclama o poeta—pois tu eras, até aqui, escorreito e atilado, e vaes casar
Certe sanus eras: uxorem, Postume, ducis!
Por esses tempos, a balbuciante civilisação dos espiritos engendrou a lei contra a qual se escreve este capitulo. As nupcias indicavam o pae: pater is est quem nuptiæ demonstrant. Agora, em pleno seculo de luz, somos mais romanos que os proprios romanos, tresandamos ao paganismo fetido, e difficultamos o divorcio para sellar o escandalo com o cunho sacramental da lei nova.
Como quer que seja, pae é aquelle que é pae, apesar do Direito Romano, e das Instituições de Direito Civil de Coelho da Rocha.
Não se adduzem os 3.º, 4.º e 5.º artigos da refutação, porque ninguem supporta um embrechado arripiante de textos latinos: e o auctor, com quanto assim grangeasse voga de romancista sumarento e condimentoso, seria lido apenas por tres ou quatro mestres de latinidade.
COROLLARIO
Melchior Pimenta era um dos paes presumidos na intenção do Digesto, na lei citada, do L. 5.º de in jus voc, e C. da Rocha no cap. Paternidade e filiação legitima.