Memorias Posthumas de Braz Cubas · Machado de Assis

Chapter 159: Das negativas

Entre a morte do Quincas Borba e a minha, mediaram os successos narrados na primeira parte do livro. O principal delles foi a invenção do emplasto Braz Cubas, que morreu commigo, por causa da molestia que apanhei. Divino emplasto, tu me darias o primeiro logar entre os homens, acima da sciencia e da riqueza, porque eras a genuina e directa inspiração do ceu. O acaso determinou o contrario; e ahi vos ficaes eternamente hypocondriacos.

Este ultimo capitulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto, não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu rosto. Mais: não padeci a morte de D. Placida, nem a semi-demencia do Quincas Borba. Sommadas umas cousas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve mingua nem sobra, e conseguintemente que sai quite com a vida. E imaginará mal; porque ao chegar a este outro lado do mysterio, achei-me com um pequeno saldo, que é a derradeira negativa deste capitulo de negativas:--Não tive filhos, não transmitti a nenhuma creatura o legado da nossa miseria.

FIM

ÍNDICE

Ao leitor v

Dedicatória vii

Capitulo

I Obito do auto
II O emplasto
III Genealogia
IV A idéa fixa
V Em que apparece a orelha de uma senhora
VI Chimène, qui l'eut dit? Rodrigue, qui l'eut cru?
VII O delirio
VIII Razão contra Sandice
IX Transição
X Naquelle dia
XI O menino é pae do homem
XII Um episodio de 1814
XIII Um salto
XIV O primeiro beijo
XV Marcella
XVI Uma reflexão immoral
XVII Do trapezio o outras cousas
XVIII Visão do corredor
XIX A bordo
XX Bacharelo-me
XXI O almocreve
XXII Volta ao Rio
XXIII Triste, mas curto
XXIV Curto, era alegre
XXV Na Tijuca
XXVI O autor hesita
XXVII Virgilia?
XXVIII Contanto que
XXIX A visita
XXX A flor da moita
XXXI A borboleta preta
XXXII Côxa de nascença
XXXIII Bem aventurados os que não descem
XXXIV A uma alma sensivel
XXXV O caminho de Damasco
XXXVI A proposito de botas
XXXVII Emfim!
XXXVIII A quarta edição
XXXIX O visinho
XL Na sege
XLI A allucinação
XLII Que escapou a Aristoteles
XLIII Marqueza, porque eu serei marquez
XLIV Um Cubas!
XLV Notas
XLVI A herança
XLVII O recluso
XLVIII Um primo de Virgilia
XLIX A ponta do nariz
L Virgilia casada
LI É minha!
LII O embrulho mysterioso
LIII . . . . . .
LIV A pendula
LV O velho dialogo de Adão e Eva
LVI O momento opportuno
LVII Destino
LVIII Confidencia
LIX Um encontro
LX O abraço
LXI Um projecto
LXII O travesseiro
LXIII Fujamos!
LXIV A transacção
LXV Olheiros e escutas
LXVI As pernas
LXVII A casinha
LXVIII O vergalho
LXIX Um grão de sandice
LXX D. Placida
LXXI O senão do livro
LXXII O bibliomano
LXXIII O lunch
LXXIV Historia de D. Placida
LXXV Commigo
LXXVI O estrume
LXXVII Entrevista
LXXVIII A presidencia
LXXIX Compromisso de gato
LXXX De secretario
LXXXI A reconciliação
LXXXII Questão de botanica
LXXXIII 13
LXXXIV O conflicto
LXXXV O cimo da montanha
LXXXVI O mysterio
LXXXVII Geologia
LXXXVIII O enfermo
LXXXIX In extremis
XC O velho colloquio do Adão e Caim
XCI Uma carta extraordinaria
XCII Um homem extraordinario
XCIII O jantar
XCIV A causa secreta
XCV Flores de antanho
XCVI A carta anonyma
XCVII Entre a boca e a testa
XCVIII Supprimido
XCIX Na plateia
C O caso provavel
CI A revolução dalmata
CII De repouso
CIII Distracção
CIV Era elle!
CV Equivalencia das janellas
CVI Jogo perigoso
CVII Bilhete
CVIII Que se não entende
CIX O philosopho
CX 31
CXI O muro
CXII A opinião
CXIII A solda
CXIV Fim do um dialogo
CXV O almoço
CXVI Philosophia das folhas velhas
CXVII O Humanitismo
CXVIII A terceira força
CXIX Parenthesis
CXX Compelle intrare
CXXI Morro abaixo
CXXII Uma intenção mui fina
CXXIII O verdadeiro Cotrim
CXXIV Vá de intermedio
CXXV Epitaphio
CXXVI Desconsolação
CXXVII Formalidade
CXXVIII Na camara
CXXIX Sem remorsos
CXXX Por intercallar no cap. CXXIX
CXXXI De uma calumnia
CXXXII Que não é serio
CXXXIII O principio de Helvetius
CXXXIV Cincoenta annos
CXXXV Oblivion
CXXXVI Inutilidade
CXXXVII A barretina
CXXXVIII A um critico
CXXXIX De como não fui ministro d'Estado
CXL Que explica o anterior
CXLI Os cães
CXLII O pedido secreto
CXLIII Não vou
CXLIV Utilidade relativa
CXLV Simples repetição
CXLVI O programma
CXLVII O desatino
CXLVIII O problema insoluvel
CXLIX Theoria do beneficio
CL Rotação e translação
CLI Philosophia dos epitaphios
CLII A moeda de Vespasiano
CLIII O alienista
CLIV Os navios do Pireu
CLV Reflexão cordial
CLVI Orgulho da servilidade
CLVII Phase brilhante
CLVIII Dous encontros
CLIX A semi-demencia
CLX Das negativas

The end.