Iaiá Garcia · Machado de Assis

Chapter 8: Capítulo 8

Chegando ao Rio, Jorge teve noticia de que Luiz Garcia estava enfermo. Não contava com o incidente, que o poz em grande perplexidade. Não queria visital-o, e mal poderia deixar de o fazer. Luiz Garcia fora prezado de seus paes; elle proprio lhe tinha estima e consideração: motivos bastantes a aconselhar o desempenho de um dever de cortezia. Mas, por outro lado, ir a Santa Thereza era arriscar-se á suspeita de Estella. Jorge vacillou durante dous longos dias. Certo, elle sentiu algum alvoroço, com a ideia de a ver; ideia que, se buscou rejeitar ao espirito, lá ficou latente e dissimulada. Mas a razão que confessava a si proprio era a da conveniencia.

Venceu a hesitação e foi a Santa Thereza, na tarde do terceiro dia. A casa não era já a mesma; tinha dimensões um pouco maiores que a outra. Era nova, ladeada de verdura, com as telhas ainda da primeira cor. Havia duas entradas, uma para a sala, ficando a porta entre quatro janellas, outra para o jardim, e era uma porta de grade de ferro, aberta no centro de um pequeno muro, por cima do qual vinha debruçar-se a verdura de uma trepadeira. Ahi achou Raymundo, mais velho do que o deixara, mas não menos forte. Raymundo conheceu-o, apezar de queimado do sol. Abriu-lhe a porta; acompanhou-o alegremente ao fundo do jardim.

--Meu senhor vae ficar muito contente, dizia elle fazendo-o entrar.

--Está melhor?

--Está, sim senhor. Olhe, está alli.

Raymundo apontou para um grupo de pequenas arvores, atravez de cuja ramagem se descobriam vestidos de mulher. Jorge sentiu coar-lhe pelas veias uma onda de frio. Mas passou depressa; e deu o primeiro passo tão firme, como deante das legiões de Lopez.

--Quem é, Raymundo? cantou uma voz desconhecida, no meio das arvores.

Jorge viu apparecer uma moça, que representava ter dezoito annos e não contava mais de dezeseis; reconheceu a filha de Luiz Garcia. Ella não o reconheceu logo; os trabalhos da guerra tinham-n'o mudado. Demais, nas poucas vezes que o vira não lhe havia prestado muita attenção. Jorge foi conduzido até a cadeira onde se achava estirado Luiz Garcia, entre duas outras, uma com um trabalho de agulha em cima, outras com um livro aberto. Luiz Garcia recebeu-o com satisfação e cordialidade; Jorge explicou a demora da visita pelo facto de estar ausente. A explicação era uma cortezia nova; Luiz Garcia agradeceu-lh'a.

--Estive muito prostrado, disse elle; não sei mesmo se cheguei ás portas da morte. Agora estou quasi bom.

Jorge sentara-se a um lado do convalescente, emquanto Yayá, do outro lado, brincava com os cabellos do pae ou lhe apertava uma das mãos. Luiz Garcia contou as peripecias da doença e exaltou a dedicação da familia; Jorge falou pouco, já por evitar trahir a commoção que sentia ao penetrar naquella casa, já por não prolongar a visita e podel-a terminar no primeiro intervallo de silencio. No fim de quinze minutos levantou-se.

--Espere um pouco, disse o convalescente. Yayá, vae chamar tua madrasta.

Yayá levantou-se para obececer á ordem do pae; mas no momento em que ia pousar nos joelhos deste o livro que tinha no regaço, ouviu-se um passo na areia e logo depois esta subita palavra:

--Prompto!

Era Estella. O sobresalto de Jorge, por mais imperceptivel que fosse, não escapou a Yayá, e fel-a sorrir á socapa; attribuiu-o ao susto. Estella appareceu; mas, porque já sabia da presença de Jorge, pode encaral-o sem nenhuma apparente commoção. Houve certa hesitação entre um e outro, mas foi curta. A moça inclinou-se levemente e estendeu-lhe a mão. Jorge apertou-lh'a.

--Ainda não tinha tido a satisfação de a ver depois de minha volta do Paraguay, disse elle.

É verdade, respondeu a moça; vivemos muito retirados.

Estella chegou-se ao marido, affastando-se Jorge para deixal-a passar.--Prompto, repetiu ella. Trazia-lhe um copo de geléa. Em quanto Luiz Garcia tomava a refeição de convalescente, Estella ficou de pé, ao lado delle; depois sentou-se e dirigiu a palavra ao filho de Valeria. Naturalmente falou-lhe da campanha. Elle respondeu sem affectação, e com tranquillidade.

--Ja tive occasião de lhe dizer que foi um dos heroes, interveiu Luiz Garcia olhando para a mulher; mas o Dr. Jorge teima em escurecer os seus proprios serviços. Yayá não é a mesma cousa.

--Sim? perguntou Jorge.

É verdade; durante toda a campanha matou pelo menos metade do exercito paraguayo.

Yayá lançou ao pae um olhar de graciosa censura.

--Não precisa corar, disse Jorge; era uma maneira de ser patriota; mas creia que havia menos perigo em matar o inimigo cá de longe.

--O senhor matou algum! perguntou Yayá no fim de um instante.

--Provavelmente. Na guerra é preciso matar ou morrer. Não me importava morrer; mas ha occasiões em que o mais indifferente é um heroe. Eu fiz o que pude.

Como a tarde começasse a escurecer, Estella disse ao marido que era tempo de recolher-se a casa. Ergueu-se para lhe o dar o braço; Jorge porém apressou-se a substituil-a. Estella foi adeante, e quando Jorge entrou na sala com o convalescente, ella preparava a cadeira em que este devia sentar-se, uma larga e extensa cadeira de vime. Luiz Garcia esperou alguns instantes, em quanto a mulher collocava as almofadas, resvalando serenamente de um lado para outro.

Durante essa curta espera, Jorge olhava para a moça, e era a primeira vez que o fazia mais detidamente. Pouca era differença entre a Estella de 1867 e a de 1871. Tinha o mesmo rosto pallido e os mesmos olhos severos. As feições não haviam mudado; o busto conservava a graça antiga; estava só um pouco mais cheio, differença que não destoava da estatura, que era alta. Esta era a pessoa physica. Moralmente devia ser a mesma; mas que contraste na situação! Assim,--a mulher que o levara a servir por quatro annos uma campanha ardua e porfiosa, e cuja imagem não esquecera no centro do perigo, essa mulher estava alli, deante delle, ao pé de outro, feliz, serena, dedicada, como uma esposa biblica. A comparação doeu-lhe; mas o coração começava a repetir-lhe juvenilmente as mesmas horas que já havia batido. Para refreal-o, Jorge despediu-se dez minutos depois.

--Já! exclamou Luiz Garcia. Foi visita de medico. Agradeço-lhe, entretanto, a attenção. Esta casa é sua; sabe que todos nós o estimamos.

Jorge seguiu para casa, contente e arrependido da visita que acabava de fazer. Gastou as primeiras horas da noite a folhear dez ou doze tomos, lendo a troncos duas ou tres paginas de cada um, quando os olhos estavam mais attentos na pagina aberta, o espirito saía pé ante pé e deitava a correr pela infinita campanha dos sonhos vagos. Voltava de quando em quando; e os olhos que haviam chegado mecanicamente ao fim da pagina tornavam ao principio, a reatar o fio da attenção. Como se a culpa fosse do livro, trocava-o por outro, e ia da philosophia á historia, da critica á poesia, saltando de uma lingua a outra, e de um seculo a outro seculo, sem outra lei mais que o acaso.

O clarão da seguinte manhã dissipou uma parte dos cuidados da noite. O primeiro alvoroço tinha passado. Jorge disse a si mesmo que bastava ser homem, esquecer o incidente da vespera, e arredar para sempre a possibilidade de outros. Não repetiria a visita a Luiz Garcia; e provavelmente não os veria nunca mais. Na rua do Ouvidor encontrou Procopio Dias, que lhe disse á queima-roupa:

--Entrei meia hora depois do senhor sair.

--Onde?

--Em Santa Thereza. Se se demora meia hora mais, encontrava-o e poderiamos ter descido juntos. Conhece ha muito tempo o Luiz Garcia?

--Desde muito moço.

--Tambem eu; mas não o via ha dez annos. Está o mesmo homem; está melhor, porque casou com uma mulher bonita. Que gente é aquella?

--A mulher foi educada por minha mãe.

--Vê-se que sim. Oh! falámos muito do senhor.

--Sim? perguntou vivamente Jorge.

Procopio Dias olhou fixamente um instante; depois riu com a testa.

--Muito, repetiu elle; eu e o Luiz Garcia travamos um duello de louvores, e se não ha nisto vaidade creio que o venci; naturalmente por que sou mais expansivo do que elle. Na verdade, elle é secco, mas o pouco que disse, disse-o com sinceridade. Parece estimar-se muito aquella familia.

Procopio Dias tornou a falar-lhe de Santa Thereza, na noite do dia seguinte, em uma casa onde jantaram juntos. Falou-lhe primeiramente em particular, depois deante de outros. A dona da casa, que era uma Diana caçadora de boatos e novidades, farejou algum mysterio entre as rugas da testa de Procopio Dias, e dobrando as pontas do arco disparou subtilmente uma flecha que ninguem viu, mas foi enterrar-se no coração de Jorge. Este fez boa cara ao tiro, mas lá dentro sangrou um pouco de irritação e medo. Sentia no fundo da consciencia o calor de um sentimento honesto, e comtudo a opinião tendia a apoderar-se delle e a devassar-lhe as cinzas do passado; cinzas frias ou mornas, é o que elle não podia ainda discernir. Confiado em si mesmo, Jorge tremia deante da opinião,--a opinião do epigramma e da anedocta, que começava a sacudir o seu riso escarninho e cru.

Inquieto e aborrecido, saiu dalli pouco depois de jantar. O gracejo da dona da casa continuava a zumbir-lhe ao ouvido, ao mesmo tempo que a figura de Estella lhe surgia aos olhos, com o seu aspecto do costume. Já entrado na rua dos Invalidos, Jorge desandou o caminho e foi direito a um theatro, com o fim de aturdir-se e esquecer mais depressa. Eram nove horas e meia; assistiu a um resto de drama, que lhe pareceu jovial, e a uma comedia inteira, que lhe pareceu lugubre. Não obstante, arejou o espirito dos cuidados da noite, e caminhou para casa mais leve e desassombrado. Era uma hora quando chegou; o creado entregou-lhe uma carta.

--A pessoa que trouxe esta carta disse que era urgente.

Jorge reeebeu-a, sem conhecer a lettra do sobrescripto. Era lettra de mulher. Abriu-a sem pressa, mas não sem curiosidade. Não era longa; dizia simplesmente isto:--«Illm. Sr. doutor. Papae está muito mal; pede-lhe o favor de vir a nossa casa.--Lina Garcia.»

--A que horas veiu esta carta? perguntou elle ao creado.

--Ás sete.

Jorge fez um gesto de enfado e mandou buscar um tilbury. Dahi a uma hora parava á porta de Luiz Garcia. Era tudo silencio. Jorge deteve-se alguns instantes, incerto sobre o que convinha fazer. O perigo, se perigo houve, podia ter passado, e toda a familia estaria em repouso. Espreitou pela porta do jardim, e viu uma claridade frouxa, atravez de uma veneziana. Logo depois ouviu passos na areia. Era o Sr. Antunes que sentira parar o tilbury.

--Meu genro está mal, disse o pae de Estella; teve esta manhã uma recahida e perto das oito horas cuidamos perdel-o.

Jorge entrou.

Luiz Garcia estava prostrado; a febre ardia-lhe sinistramente nos olhos. De um lado e de outro do leito, viam-se a mulher e a filha, apparentemente quietas, mas gastando toda a força moral em suster a angustia que ameaçava fazer-se em lagrimas.

--Que tem? perguntou Jorge approximando-se do enfermo.

--Uma febrinha importuna, respondeu este.

A um signal, Estella e Yayá retiraram-se da alcova, onde só ficou Jorge.

Mandando chamar o moço, Luiz Garcia punha em execução um pensamento que lhe brotara no calor da febre. Ouviu do medico algumas palavras que lhe fizeram suppôr a probabilidade da morte; e, não tendo amigos nem parentes, e não querendo confiar a mulher e a filha ao sogro, lançou mão da pessoa que lhe pareceu ter a sisudez bastante e a influencia necessaria para as dirigir e proteger.

--Seu pae foi amigo de meu pae, disse elle; eu fui amigo de sua familia; devo-lhe obsequios apreciaveis. Se eu morrer, minha mulher e minha filha ficam amparadas da fortuna, por que o dote de uma servirá para ambas, que se estimam muito; mas ficam sem mim. É verdade que meu sogro, mas... mas, meu sogro tem outras occupações, está velho, pode faltar-lhes de repente. Quizera pedir-lhe que as protegesse e guiasse; que fosse um como tutor moral das duas. Não é que lhes falte juizo; mas duas senhoras sósinhas precisam de conselhos... e eu... desculpe-me se sou indiscreto. Promette?

Jorge prometteu tudo, com o fim de o tranquillisar, porque Luiz Garcia parecia excessivamente afflicto com a ideia daquella eterna separação. O pedido affigurou-se-lhe singular; attribuiu-o á exaltação febril do doente. Soube depois que a vida de Luiz Garcia dependia da primeira crise que fizesse a enfermidade, segundo havia declarado o medico.

Eram quasi quatro horas quando Jorge de lá saiu. Voltou ás nove e achou o medico. A crise era esperada na tarde desse dia, e só então se poderia dizer se a vida do enfermo estava perdida ou salva. Foi o que o medico lhe repetiu, á porta do jardim, aonde Jorge o foi acompanhar.

--Não obstante, concluiu o medico, elle tem outra doença que o deve matar dentro de alguns mezes, um anno ou anno e meio.

--Coração?

--Justamente.

Este noticia impressionou o moço.--Não será illusão da medicina? perguntou elle. O medico abanou a cabeça, e saiu. Jorge encaminhou-se para casa, mas teria dado apenas tres passos, quando viu Estella que vinha ao seu encontro. A moça parou deante delle.

--Que lhe disse o medico? perguntou.

--Tem esperanças; logo de tarde poderá affiançar mais alguma cousa.

--Só isso?

--Só.

--Não o desenganou?

--Não.

Estella reflectiu um instante.

--Dê-me sua palavra, disse ella.

Jorge estendeu-lhe a mão, sobre a qual Estella deixou cair a sua, não menos fria que pallida.

--Sou amigo de seu marido, disse Jorge depois de alguns instantes; creia que elle pode contar com toda a minha dedicação.

Estella pareceu accordar do momentaneo torpor; attentou no moço, retirou a mão e respondeu com um simples gesto de assentimento. A alma subjugada tornara á natural attitude. Jorge viu-a entrar em casa e ficou só alguns minutos, a recordar a revelação do medico, e a sentir que, ao pé da tristeza que o pungia, havia alguma cousa semelhante a um sentimento egoista e cruel.

Entre a esperança e receio gotejaram algumas horas longas, até que a crise veiu e passou, sem levar comsigo a vida ameaçada. Na manhã seguinte a alegria foi tamanha em redor do enfermo, que elle viu claramente o perigo e a salvação. Nem a filha nem a mulher pareciam alquebradas do trabalho e da vigilia; estavam frescas, risonhas, ageis, partindo entre si o pio da alegria, como haviam partido irmãmente o pão da angustia.

Durante a molestia e a convalescencia, Jorge visitou-os uma vez por dia; e força é dizer que, se por um instante houve em seu coração um impulso egoista, tal impulso não se lhe repetiu depois; serviu ao doente com desinteresse e lealdade. A familia deste mostrou-se-lhe agradecida. Luiz Garcia recordou ao moço o pedido que lhe fizera na noite em que o mandara chamar, e recordou-lh'o, não só para lhe agradecer a acquiescencia como para explical-o. Mas a explicação era difficil, porque elle cedera principalmente á aversão que lhe inspirava o sogro, em quem não tinha a minima confiança; não obstante as meias palavras de que usou, Jorge entendeu tudo.

A frequencia trouxe a necessidade. Levado pelas circumstancias, Jorge acostumou-se ás visitas, e amiudou-as. No mez de Septembro, a pretexto de calor, que ainda não fazia, transferiu a residencia para a casa que tinha em Santa Thereza, e que não ficava a longa distancia da de Luiz Garcia. Não havia que reparar no caso; sua mãe tinha o costume de passar alli tres a quatro mezes no anno. Demais nas ultimas semanas, elle começara a fazer-se menos visto e menos frequentado. Podia facilmente passar a outra vida mais reclusa.

Entretanto, como essa mudança antecipada para Santa Thereza podia não ter em si mesma toda a explicação razoavel, Jorge buscou enganar-se a si proprio reunindo os elementos e lançando ao papel as primeiras linhas de um trabalho, que jamais devia acabar, mas que, em todo caso legitimava a necessidade de repouso. Nos intervallos deste é que visitava a casa de Luiz Garcia, uma ou duas vezes por semana. Aos domingos, tinha sempre a jantar o Sr. Antunes, com quem jogava uma partida de bilhar. Tentou ensinar-lhe o xadrez, mas desanimou ao fim de cinco licções.

--Ah! mas nem todos têm o seu talento! exclamou triumphalmente o pae de Estella.

Luiz Garcia jogava o xadrez. Era o recreio usual entre elle e Jorge; outras vezes saiam a passeio até curta distancia. Luiz Garcia acceitava de boa sombra essas distracções, que não eram turbulentas nem cançativas, mas brandas e pausadas, como elle. Demais nem sempre eram distracções sem fructo. Jorge apreciava agora melhor as conversações que não eram puros nadas, e os dous trocavam ideias e observações. Luiz Garcia era homem de escassa cultura, sobretudo irregular; mas tinha os dons naturaes e a longa solidão dera-lhe o habito de reflectir. Tambem elle ia á casa de Jorge, cujos livros lia de emprestimo. Era tarde; já não estava moço; faltava-lhe tempo e sobrava-lhe fome; atirou-se soffrego, sem grande methodo nem escrupulosa eleição; tinha vontade de colher a flor ao menos de cada cousa. E por que era leitor de boa casta, dos que casam a reflexão á impressão, quando acabava a leitura, recompunha o livro, incrustava-o por assim dizer, no cerebro; embora sem rigoroso methodo, essa leitura rectificou-lhe algumas ideias e lhe completou outras, que só tinha por intuição.

A necessidade intellectual de Luiz Garcia contribuiu assim para tornar mais intima a convivencia, unica excepção na vida reclusa que elle continuava a ter, ainda depois de casado. Jorge pela sua parte não desmentia até alli o bom conceito que o outro formava de suas qualidades; e a familia viu lentamente estabelecer-se a intimidade e a estima entre os dous homens. Uma noite, saindo Jorge da casa de Luiz Garcia, este e a mulher ficaram no jardim algum tempo. Luiz Garcia disse algumas palavras a respeito do filho de Valeria.

--Pode ser que eu me engane, concluiu o sceptico; mas persuado-me que é um bom rapaz.

Estella não respondeu nada; cravou os olhos n'uma nuvem negra, que manchava a brancura do luar. Mas Yayá que chegara alguns momentos antes, ergueu os hombros com um movimento nervoso.

Pode ser, disse ella; mas eu acho-o insupportavel.